Após 8 anos, mãe descobre filho vivo e trabalhando como 'escravo'
Reencontro foi na delegacia de Campos, RJ, nesta segunda-feira (28).
Trabalhadores foram libertados no final de semana, em São Fidélis, no RJ.
Todo mundo começou a chorar lá em casa e eu vim atrás dele"
Rita Mota Rosa
A ação da polícia ocorreu na tarde de sábado (26), em uma fazenda de São Fidélis, depois que um dos quatro trabalhadores conseguiu fugir e pedir socorro à polícia.
Ao chegar e fazer buscas pelo local, a polícia encontrou os trabalhadores escondidos em uma espécie de valeta dentro da propriedade, segundo eles, por ordem do patrão, conforme Romário relatou à equipe do G1.
"A gente estava igual a um porco na lama. Eu ainda tentei fugir, porque pensei que fossem bater na gente de novo, aí o policial disse que a gente estava livre”.
(Foto: São Fidélis Notícias / Vínícius Cremonez)
“A gente passou por muita dificuldade e imaginava que ia morrer a qualquer momento. Saí de Campos e fui procurar emprego em São Fidélis e ele (o dono da fazenda onde Romário trabalhava) me perguntou só se eu bebia e fumava e me contratou. Depois ele não quis me pagar, ficava enrolando. A gente comia só arroz e canjica e ganhava fumo e cachaça”, contou Romário.
Segundo declaração à polícia, eles eram sempre vigiados. Após o trabalho, de 4h às 17h, todos eram levados para um cômodo com um banheiro onde ficavam trancados sem a menor condição de higiene e estrutura precária.
“Ninguém podia reclamar. Lá na fazenda eles já avançaram com um cavalo em cima da gente e batiam com pedaço de pau e até com chicote. A gente vivia igual bicho. Eu já tentei fugir, mas eles conseguiram me pegar. Sempre tive medo de fazerem algo com a minha família”, desabafou Romário.
braçal que fazia (Foto: Priscilla Alves/ G1)
Durante a ação de resgate da polícia, Paulo César Azevedo Girão, de 59 anos, que é dono da fazenda onde os homens trabalhavam, foi preso em flagrante. Também foram presos o filho dele, Marcelo Conceição Azevedo Girão, 33 anos, e o caseiro Roberto Melo de Araújo, de 38 anos. Os três já estão no Presídio Público Carlos Tinoco da Fonseca, em Campos.
Eles vão responder pelo crime de 'redução à condição análoga a de escravo' e podem pegar de 2 a 8 anos de prisão. A polícia está apurando também a suspeita de crime de tortura.
(Foto: Priscilla Alves/ G1)
Divorciado na época que desapareceu, agora, o trabalhador espera recomeçar a vida em um emprego digno e reencontrar a filha, que ele calcula ter cerca de 10 anos. Uma equipe da Prefeitura de Campos que acompanha o caso vai auxiliar os trabalhadores na aquisição de documentos, além de prestar apoio psicológico e encaminhamento para o mercado de trabalho.
“Eu só tenho a agradecer a todos os policiais que foram verdadeiros heróis para a gente e também a todo mundo que 'tá' ajudando. Tudo parece um sonho”, concluiu Romário.
G1
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