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sexta-feira, 28 de setembro de 2012
Mãe de Cabo Bruno fala do período em que o filho viveu em Catanduva
O corpo do ex-policial militar saiu da cidade de Pindamonhangaba às 16 horas desta quinta-feira, onde foi velado na Santa Casa da cidade por algumas horas.
Em seguida, o corpo foi encaminhado para a cidade de Catanduva, onde viveu sua infância e adolescência.
A mãe, irmãos, familiares e amigos aguardavam ansiosos a chegada do corpo, prevista para as 21 horas de ontem.
Segundo a mãe do ex-policial, Josefina Scabin de Oliveira, 87 anos, que conversou com a reportagem de O Regional, cabo Bruno nasceu próximo à cidade de Ibirá no ano de 1959 e com um ano de idade mudou-se para a cidade de Catanduva, onde permaneceu até os 24 anos.
“Meu filho nasceu próximo da cidade de Ibirá e com um aninho de idade mudamos para Catanduva, onde estou até hoje com 87 anos, foi uma vida de muito trabalho”, disse.
Quando criança, cabo Bruno ajudava a mãe a vender frutas e verduras pelas ruas da cidade-feitiço e seu sonho era pilotar um avião.
“No inicio começamos a vender as verduras com uma cesta, depois a situação foi melhorando e conseguimos comprar uma carriola. Meu filho sempre esteve presente, ajudando em dias de sol e chuva. Nada atrapalhava. Quando chovia ele empurrava o carrinho e eu segurava o guarda-chuva”, lembrou a mãe, com emoção.
O ex-policial seguiu a carreira da polícia a partir dos 24 anos, mas antes o rapaz tinha o sonho de voar.
“Meu filho chegou a tirar o brevê e voou por algumas vezes aqui mesmo na cidade, mas por influência de um amigo, deixou o sonho de ser piloto e foi para a polícia”, informou.
Durante os 27 anos de prisão, a mãe visitou o filho na prisão a cada seis meses, devido às condições financeiras.
“Quando eu podia eu visitava meu filho na prisão, nunca desamparei, sempre estive ao seu lado. Nos últimos anos, ele estava feliz, casou há quatro anos e morava com a esposa na cidade de Pindamonhangaba.
Cabo Bruno tinha sete irmãos, dois mortos e cinco vivos, um morador da cidade de Peruíbe e outros quatro de Catanduva. Também possuía uma filha com cerca de 20 anos, moradora na Capital.
“Dois meses antes dele ser preso, o pai faleceu. Perdi outros dois filhos, um há 40 anos e outro há quatro anos, e agora ele. Sou forte e resisto à dor, espero que ele esteja no reino da glória”, comentou.
O ex-policial esteve em Catanduva no mês passado visitando a sua mãe. Na ocasião foi feito um almoço com mais de 40 pessoas, familiares e amigos; o objetivo da visita era matar a saudade e combinar o encontro nas festas de final de ano.
“No mês passado, meu filho veio me visitar, foi só alegria. Tudo já estava certo para as festas de final de ano, parece que foi uma despedida”, afirmou.
Histórico
Cabo Bruno foi preso pela primeira vez, em 22 de setembro de 1983, por determinação da Justiça, depois de ser acusado de mais de 20 assassinatos, sendo reconhecido por várias testemunhas.
O suspeito confessou o crime em 6 de fevereiro de 1982, em que foi denunciado por um amigo da vítima, que sobreviveu.
Nessa época, a Polícia Militar de São Paulo estimava que Cabo Bruno e mais pelo menos 12 policiais, incluindo dois oficiais, um capitão e um tenente, seriam os responsáveis por diversas execuções na Zona Sul da cidade.
No ano de 1983, o ex-policial tentou fugir por três vezes, mas foi recapturado em 1991.
Em junho do mesmo ano, Florisvaldo foi encaminhado para a Casa de Custódia de Taubaté, onde permaneceu preso até o ano de 1996.
Na cadeia, o detento se tornou pastor e lá ajudou em vários trabalhos voluntários.
Em 2009, a Justiça permitiu que ele cumprisse o restante da pena em regime semiaberto. No início de agosto, havia sido liberado por cinco dias para passar o Dia dos Pais com a família, quando veio para Catanduva visitar a mãe.
A Justiça concedeu indulto pleno por bom comportamento ao preso, que cumpria pena na penitenciária Dr. José Salgado, em Tremenbé/SP.
Cabo Bruno estava em liberdade há 35 dias, depois de cumprir 27 anos de prisão, ele foi condenado na década de 1980 a 117 anos, quatro meses e três dias de prisão após ser acusado de comandar um grupo de extermínio na zona sul de São Paulo, contando com o apoio de comerciantes da região, que lhe pagavam para ter proteção.
Morte
Segundo as informações da Polícia Militar da cidade de Pindamonhangaba, o ex-policial retornava para a sua residência acompanhado de familiares, após participar de um culto religioso no município de Aparecida, na noite de quarta-feira, dia 26.
Dois indivíduos desconhecidos teriam se aproximado e efetuaram mais de 20 disparos com revólver contra o ex-policial, que não resistiu aos ferimentos e morreu no local.
A policia afirmou que a maioria dos disparos atingiu o rosto e o abdômen da vítima.
As pessoas que acompanhavam a vítima não foram atingidas e os suspeitos fugiram sem levar nada.
No local foram encontrados ao menos 18 cápsulas deflagradas de pistolas calibres ponto 40 e 765, de acordo com a polícia.
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