terça-feira, 16 de junho de 2015

Candomblecistas acusam evangélicos de apedrejarem menina que participou de ritual

Candomblecistas acusam evangélicos de apedrejarem menina que participou de ritual

Candomblecistas acusam evangélicos de apedrejarem menina que participou de ritual Um grupo de evangélicos teria agredido verbal e fisicamente uma menina de 11 anos de idade no último domingo, 14 de junho.
De acordo com a avó da menina, Kathia Coelho Maria Eduardo, 53 anos, ela havia sido iniciada no candomblé há apenas 4 meses, e estava se dirigindo para casa após participar de uma celebração em um templo da religião na Penha, Rio de Janeiro (RJ).
Vestida com roupas ritualísticas brancas, a menina teria sido xingada pouco antes de ser atingida por uma pedra atirada pelo grupo de pessoas que supostamente eram evangélicas: “Eles gritaram: ‘Sai Satanás, queima! Vocês vão para o inferno’. Mas nós não demos importância. Logo depois, o pedregulho atingiu minha neta e, enquanto fomos socorrê-la, eles fugiram em um ônibus”, contou Kathia Coelho.
“Quando viram várias pessoas vestidas de branco, começaram a insultar, gritando que a gente ia ‘queimar no inferno’ por ser ‘macumbeiro’”, acrescentou a avó da menina, em entrevista ao jornal Extra.
Depois do incidente, a preocupação era socorrer a menina: “Ficamos todos muito nervosos, a gente não sabia o que tinha acontecido, só escutamos o estrondo. Minha neta sangrou muito, chegou a desmaiar. Não reagimos em nenhum momento, a prioridade era socorrer”.
O grupo que fez a agressão contra os candomblecistas fugiu do local enquanto pessoas tentavam ajudar a criança agredida, de acordo com informações do jornal O Dia. Uma das pessoas que acompanhavam a menina era Yara Jambeiro, 49 anos: “Ela está bem, pois foi socorrida para o hospital e até foi à escola, pois é muito estudiosa. Mas na hora chegou a perder a memória. Que mundo é esse que estamos vivendo? Não se respeita nem criança?”, questionou.
Após registrar um Boletim de Ocorrência (B.O.), no 38º Distrito Policial, Kathia Coelho – que pratica o candomblé há 33 anos – afirmou que esse tipo de situação era inédita para ela: “Nunca tinha passado por uma situação dessa. Eu me senti impotente, não podia fazer nada. Ninguém estava prejudicando ninguém, me questiono porque fizeram isso. Acho que, independentemente do que a pessoa pratica ou no que acredita, em qualquer religião, a prioridade é tratar o ser humano como um irmão”, concluiu.

AGORA VEJA NESTA OUTRA MATÉRIA O QUE REALMENTE ACONTECEU 


Vítima de intolerância religiosa, menina de 11 anos é apedrejada na cabeça após festa de Candomblé

A menina: ferida na cabeça após ouvir insultos numa avenida da Vila da Penha. Foto: Reprodução/Facebook

O ódio e a intolerância contra religiões afro-brasileiras fizeram mais uma vítima no Rio: uma menina de 11 anos, que levou uma pedrada na cabeça. O caso ocorreu no domingo à noite, na Avenida Meriti, na Vila da Penha, Zona Norte da cidade. Por volta das 18h30, após uma festa em um barracão, um grupo de oito religiosos, vestidos com trajes brancos do Candomblé, caminhava de volta para casa. Na altura do número 3.318, dois homens em um ponto de ônibus do outro lado da via começaram a insultá-los.
- Quando viram várias pessoas vestidas de branco, começaram a insultar, gritando que a gente ia “queimar no inferno” por ser “macumbeiro” - lembra a avó, uma pesquisadora de 53 anos.
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Até que, em determinado momento, um dos homens jogou uma pedra na direção ao grupo, que bateu num poste e atingiu a neta da pesquisadora, de 11 anos. De acordo com a avó, após a agressão e mais alguns insultos os suspeitos fugiram embarcando num ônibus.
- Ficamos todos muito nervosos, a gente não sabia o que tinha acontecido, só escutamos o estrondo. Minha neta sangrou muito, chegou a desmaiar. Não reagimos em nenhum momento, a prioridade era socorrer - lembra a avó.

A roupa da jovem ensanguentada após a agressão.
A roupa da jovem ensanguentada após a agressão. Foto: Reprodução/Facebook
O grupo retornou para o barracão, situado em Cordovil, a cerca de dez minutos do local do crime. Depois de limparem a menina, que estava com muito sangue pelo corpo, a levaram até o Posto de Assistência Médica (PAM) de Irajá, onde os médicos fizeram um curativo no ferimento. Segundo a avó, ela só não levou pontos porque estava com o ferimento muito inchado.
- Nunca tinha passado por uma situação dessa. Eu me senti impotente, não podia fazer nada. Ninguém estava prejudicando ninguém, me questiono por que fizeram isso. Acho que, independentemente do que a pessoa pratica ou no que acredita, em qualquer religião, a prioridade é tratar o ser humano como um irmão - desabafa ela, adepta do Candomblé há 33 anos, destacando que a neta está traumatizada e que iniciará um tratamento psicológico por causa do trauma.
No Facebook, a pesquisadora iniciou uma campanha contra a intolerância religiosa publicando fotos de candomblecistas segurando um cartaz com a frase “Eu visto branco, branco da paz, sou do Candomblé, e você?”. Nesta segunda-feira, a pesquisadora foi até a 38ª DP (Brás de Pina) registrar queixa. O crime foi registrado como intolerância religiosa e lesão corporal. Nesta quarta-feira, sua neta fará exame de de corpo delito.

Kátia começou uma campanha no Facebook contra esse tipo de preconceito.